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Preciso de site ou só o Instagram basta? O que mostram 274 empresas de uma avenida

Numa avenida de São José, 54 empresas usam rede social no lugar do site. Para quem o Instagram resolve, o que ele não faz e um caminho em etapas.

54 empresas de uma avenida de São José usam rede social no lugar do site

Em 2026, um bar da Grande Florianópolis acordou sem Instagram. A Meta derrubou a conta, e com ela foram embora a agenda de shows, o cardápio, as fotos de anos e o único canal por onde os clientes perguntavam se tinha mesa. O dono só registrou um domínio depois disso.

A história assusta, mas seria desonesto usá-la para dizer que todo mundo precisa de site. Muita empresa vive bem só com Instagram e WhatsApp, e para algumas um site agora seria dinheiro mal gasto.

O que dá para fazer é separar as duas situações, com números de uma avenida inteira.

O que 54 empresas da avenida fizeram

No levantamento dos perfis do Google da Avenida Lédio João Martins, no Kobrasol, olhamos para onde aponta o botão “Site” de cada uma das 274 empresas em funcionamento.

Para onde aponta o link do perfil no Google
  • Site próprio115 empresas
  • Rede social ou atalho54 empresas
  • Página de terceiros23 empresas
  • Nenhum link82 empresas

Uma em cada cinco pôs uma rede social no lugar do site. Das 54, 37 apontam direto para o Instagram. As outras usam link de WhatsApp, Facebook ou aquelas páginas de atalhos com vários botões.

Depois comparamos quantas avaliações cada grupo tem no Google:

Link no perfilMediana de avaliações
Site próprio83
Página de terceiros42
Rede social ou atalho37
Nenhum link10

Quem tem site tem, na mediana, mais que o dobro de avaliações de quem usa rede social. Isso é correlação. Empresa maior e mais antiga tende a ter as duas coisas, site e muita avaliação, e o site não fez ninguém ganhar estrela. O número serve para outra leitura: na avenida, os negócios que mais recebem cliente pelo Google são, em geral, os que não dependem de um canal só.

Para quem o Instagram sozinho basta

Tem negócio em que o cliente nunca chega pela busca. Ele chega porque alguém indicou, porque viu o trabalho no feed de uma amiga ou porque já é freguês.

É o caso de quem vende por relacionamento: a confeiteira de encomenda, a manicure com agenda cheia, o personal, o tatuador, a loja de roupa que vende pelo story para a mesma clientela toda semana. Nesses negócios o Instagram faz o trabalho de vitrine e de conversa ao mesmo tempo, e faz bem.

Também basta para quem está começando. Nos primeiros meses você ainda está descobrindo o que vende, para quem e a que preço. Um site feito nessa fase costuma ficar desatualizado em pouco tempo.

Se a sua agenda está cheia e ninguém novo precisa te achar, o site pode esperar. O que não pode esperar está na primeira etapa do caminho, mais abaixo.

O que o Instagram não faz

Ele quase não aparece quando procuram pelo serviço

Quem digita “conserto de celular Kobrasol” ou “dentista em São José” está procurando um serviço, sem ter um nome em mente. O Google responde com o mapa e com páginas que falam daquele serviço.

Desde 2025, publicações de contas profissionais públicas podem aparecer em buscadores; a Central de Ajuda do Instagram explica isso e mostra onde desligar. Na prática, o que costuma aparecer é o seu perfil quando alguém digita o nome da empresa. Para a busca pelo serviço, um post de três meses atrás concorre com páginas inteiras escritas sobre o assunto, e perde.

No mapa, o que conta é o perfil da empresa no Google. O próprio Google diz que a posição depende de relevância, distância e destaque, e que no destaque entram as avaliações e quantos sites têm links para a sua empresa.

A conta é da Meta

Os Termos de Uso do Instagram dizem que a empresa pode remover conteúdo e encerrar contas que considere em desacordo com as regras. As fotos são suas; o endereço, os seguidores e o histórico de conversas ficam dentro de uma plataforma que decide sozinha.

Foi o que aconteceu com o bar. Junto com o perfil foi a lista de clientes, que nunca tinha existido fora dali.

Não tem uma página para cada serviço

O Instagram tem um perfil e uma bio. Uma clínica com seis especialidades, uma oficina que faz freio, suspensão e ar-condicionado, um escritório com três áreas: tudo fica misturado no mesmo feed, na ordem em que foi postado. O cliente que quer saber só de uma coisa precisa rolar a tela ou perguntar no direct, e parte deles desiste antes.

O link da bio também quebra

Uma loja de moda que encontramos tinha mais de 15 mil seguidores e um site na bio. O link não abria: o domínio tinha saído do ar e ninguém percebeu.

Vale para os dois lados. Ter site não resolve se ninguém cuida dele, e no teste que fizemos com os 115 sites da avenida um em cada quatro tinha algum problema.

Um caminho em etapas, do mais barato ao mais completo

Você pode parar em qualquer etapa. Cada uma já vale sozinha.

  1. Guarde seus clientes fora do Instagram (custa zero). Uma lista com nome e telefone de quem compra, numa planilha ou nos contatos do WhatsApp Business. Ative a verificação em duas etapas na conta e confira se o e-mail e o telefone de recuperação são seus, e não de um ex-funcionário.
  2. Complete o perfil no Google (custa zero). É ele que aparece no mapa. Categoria certa, horário, telefone e fotos. Enquanto não houver site, o Instagram pode ir no campo de link: é melhor do que deixar em branco, como fazem 82 empresas da avenida.
  3. Registre o domínio no seu CPF ou CNPJ (R$ 40 por ano). É o preço de um .com.br no Registro.br em 2026, e pode mudar. O próprio Registro.br tem uma função de redirecionamento que manda quem digita o endereço para o seu Instagram. Você passa a divulgar um endereço que é seu, e se um dia a conta cair, basta apontar o domínio para outro lugar.
  4. Uma página só. O que você faz, onde atende, horário, fotos, botão de WhatsApp. Dá para montar num construtor de sites por conta própria ou encomendar. Já serve para pôr no perfil do Google e na bio.
  5. Site com uma página por serviço. Faz sentido quando você quer ser achado por quem ainda não te conhece e tem mais de um serviço para mostrar. É a etapa que dá trabalho e custa mais, e por isso é a última.

Quando não vale a pena ter site agora

Se você não vai atualizar preço, horário e telefone, não faça. Site abandonado passa uma impressão pior do que não ter site.

Se o negócio ainda está mudando de produto ou de público, espere até a etapa 3 e fique nela por um tempo.

E se todos os seus clientes vêm de indicação e você não dá conta de mais, o site não vai mudar o seu mês. Nesse caso, o domínio registrado e a lista de clientes guardada já cobrem o risco que derrubou o bar.

Escrito porBruno Gomes

Fundador da EmpresaNaWeb. Desenvolve software desde 2009 e atende cada cliente pessoalmente, do orçamento à entrega.

Quer saber como a sua empresa aparece para quem não te segue?

Manda o nome da empresa e o @ do Instagram. A gente procura no Google do jeito que um cliente novo procuraria e te devolve o que apareceu e o que faltou. Sem compromisso.

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