O site sai do ar, o e-mail da empresa para junto e a hospedagem garante que está tudo pago. Alguém resolve consultar o endereço no Registro.br e aparece, como dono, um CPF ou CNPJ que não é o da empresa. É o do sócio que saiu, o do sobrinho que montou o site anos atrás, o da agência que fechou.
Quando testamos os 115 sites de uma avenida de São José, 17 não abriam. Em 9 deles o motivo era esse: o domínio tinha deixado de existir. Um cliente nosso viveu isso: o domínio .com.br da empresa estava no CNPJ do dono anterior do negócio e venceu em julho de 2026.
O que vem a seguir é o caminho que a gente percorreu, conferido nas páginas do Registro.br em 4 de outubro de 2026. As regras são deles e podem mudar, então abra os links antes de agir.
Primeiro descubra qual é o seu caso
O titular é o CPF ou CNPJ em nome de quem o domínio está registrado. O contato é o usuário, com login e senha, que administra o domínio no sistema. São coisas separadas. Digite o endereço na pesquisa do Registro.br: ela mostra o titular (nome e CNPJ, ou nome e parte do CPF), os contatos e a data de expiração.
Se o titular é a sua empresa e só o login é de outra pessoa, o problema é menor: quem assina o pedido é você. O procedimento se chama transferência de contato do titular.
Se o titular é outro CPF ou CNPJ, aí é transferência de titularidade, e a assinatura que vale é a dele. O resto deste texto trata desse caso.
Quando a pessoa colabora
O Registro.br trata a troca de CPF ou CNPJ como procedimento administrativo, feito fora do painel, com documento assinado e enviado por e-mail.
- Preencha o formulário de transferência de titularidade. Ele pede o domínio, o nome e o documento de identidade do representante do titular atual, o CPF ou CNPJ do novo titular e um e-mail de contato. Ao clicar em “Gerar documento”, sai um PDF.
- O titular atual assina esse PDF com a assinatura eletrônica do gov.br, em gov.br/assinar. A conta dele precisa ser nível prata ou ouro. A alternativa aceita é certificado digital ICP-Brasil.
- Confira o arquivo assinado no validador do ITI.
- Envie o PDF e os documentos dos dois lados para o e-mail que aparece no cabeçalho do documento gerado. Os arquivos podem ser PDF, JPG ou PNG, com até 25 MB cada.
O prazo de análise informado é de 2 dias úteis a partir do recebimento.
Os documentos mudam conforme quem é o titular atual:
- Pessoa física: documento oficial com CPF (a CNH do aplicativo serve).
- MEI ou empresa individual: assina o próprio dono, e vai junto o certificado de microempreendedor.
- Demais empresas: assina o sócio-administrador, com o comprovante de situação cadastral e quadro societário e o contrato social (ou a última alteração consolidada) registrado.
Do novo titular vai um documento com CPF, se for pessoa física, ou o comprovante de inscrição do CNPJ na Receita Federal.
No caso que a gente acompanhou, o ponto que pedia mais cuidado era a assinatura. Assinar à mão, escanear e mandar não é aceito. Se o antigo titular nunca usou o gov.br, comece ajudando a pessoa a subir o nível da conta. Em papel, só pelo correio e com firma reconhecida em cartório.
Quando a pessoa sumiu
Nas páginas que consultamos não existe caminho administrativo para tirar um domínio de um titular sem a assinatura dele ou de quem o representa. O que sobra:
Achar quem pode assinar. Se o titular é uma empresa que ainda existe, quem assina é o administrador atual dela, na forma do contrato social. Não precisa ser a pessoa que registrou o domínio lá atrás. Procuração também é aceita, nas condições descritas na página de procedimentos.
Perguntar ao Registro.br. Empresa encerrada e titular falecido não aparecem nas instruções que lemos. O canal para dúvidas de procedimento é o doc@registro.br, listado na página de contato.
Esperar o domínio vencer e tentar pegá-lo de volta no processo de liberação, descrito mais abaixo. Não há garantia.
Existe ainda o SACI-Adm, um sistema de solução de conflitos conduzido por instituições credenciadas, para quem contesta a legitimidade de um registro. A partir daí o assunto é de advogado. Este texto é orientação prática de quem passou pelo processo, sem valor de parecer jurídico.
Às vezes compensa mais registrar outro endereço. Um domínio novo custa R$ 40 por ano. O que se perde é o que estava amarrado ao antigo: os e-mails, o link no perfil do Google, o cartão de visita impresso.
Quando o domínio já venceu
Domínio vencido ainda não está perdido. Segundo a página de pagamentos do Registro.br, o domínio sem pagamento é congelado e, depois de um período, liberado para novo registro. Congelado quer dizer que site e e-mail param, mas o registro continua do mesmo titular.
O Registro.br não informa, nas páginas que lemos, quantos dias dura o congelamento. Provedores como a Locaweb e a HostGator falam em até 90 dias. Trate esse número como estimativa e aja como se fosse menos.
Enquanto está congelado, o mais rápido é pagar a renovação. Só que a cobrança só pode ser emitida por quem é contato do domínio. O pedido ao antigo titular vira dois: emitir a cobrança de R$ 40 agora, para o endereço voltar ao ar, e assinar a transferência depois. Há também uma extensão de pagamento, que republica o domínio por um período curto e só pode ser usada uma vez.
Se o prazo estourar, o nome entra no processo de liberação. O Registro.br abre rodadas com data marcada (as próximas, na consulta que fizemos, eram 14/10/2026 e 11/11/2026) e publica a lista dos domínios dois dias antes. Quem quer um nome se candidata dentro da janela. Com um candidato só, o domínio é dele. Com dois ou mais, o nome não é liberado naquela rodada e pode ir para uma disputa por ofertas, que começam em R$ 50. Qualquer pessoa pode se candidatar ao endereço da sua empresa.
Quando foi a agência que registrou
Vale a mesma consulta do começo, porque há duas situações bem diferentes.
Na primeira, o titular é o CNPJ da agência. É transferência de titularidade igual a qualquer outra: o administrador da agência assina e manda os documentos da empresa dela. Peça isso enquanto a relação está boa.
Na segunda, o titular já é você, e a agência aparece só como contato ou como provedor de serviços, que é a empresa de hospedagem autorizada a administrar e pagar o domínio em seu nome. O domínio é seu, falta retomar o controle. Se a agência não passar o login, a transferência de contato do titular resolve, com a sua assinatura. Pela ajuda do Registro.br, sair de um provedor e voltar para a administração direta é imediato. Trocar um provedor por outro tem carência de 60 dias quando o atual pagou a última anuidade.
Para não passar por isso de novo
O titular tem que ser o CPF ou CNPJ de quem manda na empresa hoje. Quem faz o site precisa, no máximo, ser contato técnico, e o próprio Registro.br diz que isso basta para qualquer ajuste.
O e-mail da conta tem que ser um que alguém lê. O aviso de cobrança vai para os contatos do domínio no registro e 30 dias antes de cada vencimento, por e-mail. Boleto pelo correio o Registro.br não manda.
Dá para pagar vários anos de uma vez:
| Período | Valor no Registro.br (out/2026) |
|---|---|
| 1 ano | R$ 40 |
| 2 anos | R$ 76 |
| 3 anos | R$ 112 |
| 5 anos | R$ 184 |
| 10 anos | R$ 364 |
Checklist: dez minutos para conferir o seu
- Pesquisei o domínio no Registro.br e o titular é o meu CPF ou o CNPJ atual da empresa.
- Sei qual é o usuário que aparece como contato do titular, e tenho a senha.
- O e-mail desse usuário é uma caixa que eu abro toda semana.
- Sei a data de vencimento e coloquei um lembrete um mês antes.
- Se o titular é outra pessoa, já pedi a transferência, e ela tem conta gov.br prata ou ouro.



