Ter um site e ter um site que funciona são coisas diferentes, e a diferença só aparece quando alguém clica.
No levantamento dos perfis do Google da Avenida Lédio João Martins, no Kobrasol, 115 das 274 empresas em funcionamento tinham um site cadastrado. Parecia a parte resolvida da história. Então fizemos o que o cliente faz: clicamos em todos.
O que foi testado
Em 4 de outubro de 2026 abrimos cada um dos 115 endereços simulando um celular, que é de onde vem a maior parte das buscas locais. Para cada um, anotamos se a página abria, para onde o link levava de verdade, se a conexão era segura (o cadeado do navegador), se a página se adaptava à tela pequena, quanto tempo o servidor levava para responder e qual tecnologia estava por trás.
Os que falharam foram testados de novo, por outro caminho, para separar problema real de instabilidade de um minuto. Um site recusou o acesso automático e ficou fora da conta. A lista inclui lojas de rede, como bancos, farmácias e operadoras, cujo link aponta para o site da marca.
O resultado
- Abre e funciona86 sites
- Abre, mas sem conexão segura5 sites
- Não abre17 sites
- Abre vazio ou no lugar errado6 sites
- Não foi possível testar1 site
Vinte e oito sites têm algum problema, 24% do total. Em 23 deles o cliente que clica não chega a lugar nenhum.
E não são só empresas pequenas e desconhecidas. Entre os links quebrados há negócios com mais de 900 avaliações no Google e nota máxima. Gente que o cliente adora, com a porta da frente trancada.
Por que os sites não abrem
| O que acontece ao clicar | Sites |
|---|---|
| O domínio não existe mais | 9 |
| Página não encontrada | 4 |
| Erro de certificado de segurança | 2 |
| Servidor fora do ar ou sem resposta | 2 |
O domínio venceu e ninguém viu
É a causa número um, com 9 dos 17 casos, e a mais barata de evitar. Um domínio .com.br custa R$ 40 por ano no Registro.br. Quando o boleto não é pago, o endereço sai do ar, e depois de um tempo fica livre para qualquer pessoa registrar.
Quase sempre a história é a mesma: o site foi feito anos atrás por um sobrinho, uma agência ou um funcionário, o domínio ficou no nome e no e-mail dessa pessoa, e o aviso de vencimento chegou em uma caixa que ninguém abre mais. Estamos resolvendo exatamente isso para um cliente agora: o domínio da empresa estava registrado no CNPJ do dono anterior, venceu em julho, e recuperar exige um pedido formal de transferência assinado por ele.
O que fazer: entre em registro.br, pesquise o seu domínio e veja em nome de quem ele está e quando vence. Se não estiver no CPF ou CNPJ de quem manda na empresa hoje, peça a transferência enquanto a pessoa ainda atende o telefone.
O link aponta para uma página que mudou de lugar
Quatro sites existem, mas o endereço cadastrado no perfil leva a uma página que não está mais lá. Acontece quando o site é refeito e ninguém lembra de atualizar o link no Google. O cliente vê a tela de erro e não procura a página inicial: volta para a busca e clica no concorrente.
O cadeado quebrou
Dois sites têm o certificado de segurança com defeito. Nesse caso o navegador mostra uma tela vermelha dizendo que a conexão não é particular, antes mesmo de carregar a página. Para quem não é da área, a mensagem soa como “este site é golpe”.
Outros cinco abrem, mas sem conexão segura nenhuma, com o aviso “Não seguro” ao lado do endereço. Hoje o certificado é gratuito em praticamente qualquer hospedagem. Não ter é sinal de site que ninguém olha há anos.
Os que abrem, mas não servem
Seis sites carregam e mesmo assim não entregam nada:
- Um mostra uma página totalmente em branco.
- Um mostra uma lista de arquivos do servidor, sem site nenhum.
- Um virou página de anúncios: o domínio foi abandonado e hoje exibe propaganda de terceiros.
- Um, de uma rede nacional, abre na página da unidade de Brasília. O cliente está em São José.
- Um pede login do Google, porque o site foi criado como documento privado.
- Um redireciona para o Facebook.
Nenhum desses casos aparece em um teste rápido feito pelo dono, porque o dono digita o endereço certo, no computador da loja, e raramente clica no link do próprio perfil.
E os que abrem?
Abrir é o mínimo. Juntando os 86 que funcionam com os 5 sem conexão segura, e descontando endereços repetidos, analisamos 89 sites distintos. Ainda há bastante espaço perdido neles.
Um em cada três não tem link para o WhatsApp. Só 59 dos 89 têm um botão ou link que abre a conversa. Nos outros 30, o cliente precisa achar o número, copiar e colar. Em comércio local, onde quase toda venda começa no WhatsApp, é o tipo de atrito que decide.
A velocidade varia muito. Medimos o tempo que o servidor leva para entregar a página, uma única vez e em banda larga, então os números servem como indicação e não como laudo:
- Menos de 1 segundo42 sites
- De 1 a 3 segundos34 sites
- Mais de 3 segundos13 sites
Isso é só o servidor responder. Imagens e scripts somam em cima, e no 4G tudo fica mais lento. Um site que leva mais de três segundos para começar a aparecer já perdeu parte de quem clicou.
Um terço é WordPress. Dos 89 sites, 32 rodam em WordPress, 12 em plataformas de loja virtual e 6 em construtores do tipo arrasta e solta. Não há nada de errado com nenhuma dessas opções. Mas WordPress pede manutenção: atualização de tema e de plugins, renovação de licenças, cópia de segurança. Site de WordPress sem ninguém cuidando é o que, daqui a dois anos, vai aparecer na lista dos que abrem em branco.
Alguns pararam no tempo. Dos 42 sites que mostram o ano no rodapé, 10 estão em 2024 ou antes. Um marca 2011.
A conta que o dono não vê
O site quebrado não manda aviso. Ele não gera reclamação, porque o cliente que encontra uma tela de erro não liga para avisar. Ele só some.
Pense numa empresa da avenida com 500 avaliações no Google. Ela aparece bem na busca, e todo mês uma parte de quem vê o perfil toca em “Site” para conferir preço, catálogo ou cardápio. Se esse link dá erro, o perfil inteiro perde força: a nota, as fotos e as avaliações trabalharam para trazer a pessoa até ali, e o último passo falhou.
O que mais chama atenção nos números é o custo do conserto. Nove dos 17 sites fora do ar voltariam com um boleto de R$ 40. Quatro, com a troca de um link no perfil, que leva dois minutos. Os dois certificados, com um ajuste na hospedagem.
Teste o seu em cinco minutos
- Clique no link do seu próprio perfil no Google, pelo celular e fora do wi-fi da loja. Não digite o endereço: use o botão “Site”, como o cliente faz.
- Veja se aparece o cadeado ao lado do endereço. Se aparecer “Não seguro”, fale com quem hospeda o site.
- Conte até três. Se a página não começou a aparecer nesse tempo, ela está lenta.
- Procure o botão do WhatsApp sem rolar a tela. Se você não acha em dez segundos, o cliente também não.
- Confira o domínio no Registro.br: em nome de quem está e quando vence.
- Olhe o rodapé. Ano antigo, telefone que mudou e endereço da loja anterior denunciam abandono.
Se algum item falhar, na maioria das vezes o conserto é simples e quem fez o site resolve em minutos. Quando o site é antigo demais para valer o remendo, a decisão passa a ser outra, e a gente trata dela em sistema pronto ou sob medida: como decidir.
O que este teste não mostra
Foi um retrato de um dia, em uma avenida. Site fora do ar numa sexta pode voltar na segunda, e por isso retestamos as falhas antes de contar. Também não avaliamos o que mais importa depois que a página abre: se o texto explica o que a empresa faz, se as fotos são boas, se dá vontade de comprar. Isso não cabe em um teste automático.
Mas a conclusão não depende desses detalhes. Em uma das ruas de comércio mais fortes da região, um em cada quatro sites cadastrados falha no básico, e os donos, muito provavelmente, não sabem.



