Você pede três orçamentos de site e recebe três números que não se parecem. Um custa o triplo do outro, um tem mensalidade, um promete entregar em uma semana. Sem ser da área, comparar pelo preço é o que sobra, e preço é a informação que menos diz sobre o que vai acontecer depois.
As perguntas abaixo servem para qualquer fornecedor: agência, freelancer, o conhecido que “mexe com isso”, a gente. Nenhuma exige conhecimento técnico para fazer, e para cada uma há uma resposta que tranquiliza e outra que deveria fazer você parar. Peça as respostas por escrito, para poder comparar depois.
Elas saíram, em parte, do que encontramos quando testamos os 115 sites de empresas de uma avenida de São José:
| O que o teste mostrou | Sites |
|---|---|
| Não abrem | 17 de 115 |
| Desses, o domínio deixou de existir | 9 de 17 |
| Abrem, mas sem link para o WhatsApp | 30 de 89 |
| Ano de 2024 ou anterior no rodapé | 10 de 42 |
Sobre o que vai ser seu
1. No nome de quem fica o domínio?
O domínio é o endereço, o “suaempresa.com.br”. No teste, domínio que deixou de existir foi a causa número um de site fora do ar. A história mais comum por trás disso é o domínio registrado no nome e no e-mail de quem fez o site, anos antes.
Boa resposta: “no seu CPF ou CNPJ, numa conta sua; eu só entro como contato técnico”. Sinal de alerta: “deixa comigo, eu cuido disso pra você”. Se o seu já está nessa situação, o conserto está em domínio no nome de outra pessoa.
2. Onde o site vai ficar hospedado, e a conta é de quem?
Hospedagem é o computador alugado onde o site mora. Dá para dispensar a parte técnica. O que você precisa anotar é o nome da empresa de hospedagem, quanto ela cobra e quem tem a senha. A resposta ruim é a vaga: “fica no nosso servidor”. Servidor de quem, pago por quem, e o que acontece com o site se essa pessoa atrasar a conta dela?
3. Os arquivos do site são meus? Recebo uma cópia?
Pergunte se, no fim, você recebe o código, as imagens e os textos, e em que formato. Uma boa resposta descreve onde tudo fica guardado e como você acessa. Há uma exceção legítima: em construtores e plataformas de loja, o site não sai de lá, e quem trabalha com eles deve dizer isso antes de você fechar. O alerta é descobrir essa limitação só depois, ou ouvir que o código “é propriedade da agência”.
Sobre o andamento
4. Qual é o prazo, e quais são as etapas?
Prazo sozinho não diz nada. O que interessa é o que você vai ver, e quando: a primeira versão para olhar, a rodada de ajustes, a publicação. Desconfie de data sem etapas e de quem não diz a partir de quando o prazo começa a contar.
5. O que eu preciso entregar, e até quando?
Esta pergunta é sobre você. Site depende de material que só o cliente tem: fotos, logo, lista de serviços, preços. Enquanto isso não chega, o prazo não anda. Um fornecedor organizado entrega uma lista fechada, com data. “Vai mandando o que tiver” é sinal de projeto sem data para acabar.
6. Quem escreve os textos?
Quase ninguém pergunta, e é onde muito site empaca. Há três arranjos possíveis: você escreve, o fornecedor escreve a partir de uma conversa com você, ou o texto é gerado de qualquer jeito e fica genérico. Os dois primeiros funcionam. Peça para ler um texto que a pessoa escreveu para outro cliente. Se ele serviria para qualquer empresa do mesmo ramo, trocando só o nome, o seu vai sair igual.
Sobre o dia seguinte
7. Depois de pronto, eu consigo alterar sozinho?
Preço muda, horário muda, funcionário sai da foto da equipe. Pergunte o que dá para trocar sem chamar ninguém e peça para ver como é. Existem duas respostas honestas. Uma é “você altera por um painel, e eu mostro como”. A outra é “as alterações passam por mim, custam tanto e levam tanto tempo”. As duas servem, desde que você saiba qual está comprando. Sinal de alerta é a promessa de que “é super fácil” sem demonstração.
No mesmo teste, dos 42 sites que mostravam o ano no rodapé, 10 estavam parados em 2024 ou antes. Não dá para saber o motivo de cada um, mas site que o dono não consegue atualizar é forte candidato a ficar assim.
8. Se der problema, quem atende e em quanto tempo?
Site fora do ar numa sexta à noite é venda perdida no fim de semana. A boa resposta tem nome de pessoa, canal e prazo: “fala comigo no WhatsApp, respondo em tantas horas”. Também vale saber se existe garantia para defeito depois da entrega, e de quanto tempo. O alerta é “pode ficar tranquilo, qualquer coisa a gente vê”.
9. Quanto eu vou pagar por mês ou por ano, e para quem?
Todo site tem custo recorrente, mesmo o que não tem mensalidade. O domínio .com.br custa R$ 40 por ano no Registro.br (valor de outubro de 2026, que pode mudar). Hospedagem tem preço próprio. E alguns sites dependem de licenças pagas todo ano: dos 89 sites que abriram no nosso teste, 32 eram WordPress, uma ferramenta boa que pede atualização e, muitas vezes, temas e complementos com renovação anual.
Peça a lista inteira: item, valor, periodicidade e para quem você paga. Mensalidade para o próprio fornecedor pode ser um bom negócio, desde que você saiba o que ela cobre e o que acontece com o site se parar de pagar.
10. Posso ver sites seus que estão no ar?
Peça três endereços e abra no celular, fora do wi-fi. Olhe se carrega rápido, se o cadeado de conexão segura aparece, se dá para chamar a empresa no WhatsApp sem procurar. No nosso levantamento, 30 dos 89 sites que abriam não tinham link nenhum para o WhatsApp, então isso não é detalhe garantido.
Veja também se os exemplos são de negócios parecidos com o seu em tamanho. Portfólio só com imagens, sem endereço para visitar, é motivo para insistir.
11. Se a gente parar de trabalhar junto, o que acontece?
É a pergunta mais desconfortável e a mais reveladora. Relação de fornecedor termina, por preço, por mudança de ramo, por desentendimento. A boa resposta é quase burocrática: “o domínio e a hospedagem já estão no seu nome, eu te passo os acessos e os arquivos, e outra pessoa consegue continuar”. Se a resposta for silêncio, irritação ou uma multa para liberar o site, você descobriu antes de pagar.
Como usar as respostas
Não espere onze respostas perfeitas. Um freelancer pode não ter suporte no fim de semana, e uma agência pode usar uma plataforma da qual o site não sai. Limitação dita com clareza é informação para decidir. Resposta que foge da pergunta já é motivo para tirar o fornecedor da lista.
Três delas pesam mais que as outras, porque o erro é caro e difícil de desfazer: a do domínio (1), a dos arquivos (3) e a do fim da relação (11). Se essas três vierem claras, o resto se ajusta no caminho.
Depois de escolher, o que protege o projeto é o que fica combinado por escrito: escopo, parcelas, o que conta como mudança. Esses tropeços, e a frase que evita cada um, estão em o que dá errado ao contratar um site ou sistema.
Quando esta lista é exagero
Se a ideia é montar você mesmo uma página num construtor, pagando a assinatura direto para a plataforma, metade das perguntas perde o sentido. Não há fornecedor para avaliar, e o domínio e a conta já nascem no seu nome. Para muito negócio que está começando, é o caminho certo, e contratar alguém pode esperar.
A lista também não mede o que mais pesa no resultado, que é o gosto e o cuidado de quem faz. Para isso só existe a pergunta 10: abrir o que a pessoa já fez e ver se você gostaria de ser cliente daquelas empresas.



