Sistemas sob medida · 7 min de leitura

O que dá errado ao contratar um site ou sistema, e o combinado que evita cada problema

Sete tropeços comuns em projeto de site e de sistema, de quem é o erro em cada um e a frase simples, por escrito, que evita a briga antes de ela começar.

Sete problemas comuns em projeto de site e sistema, e como evitar cada um

Terceira semana de projeto. O cliente pergunta “e a parte de agendamento?”, e quem está fazendo o site responde que agendamento nunca esteve no combinado. Os dois têm certeza do que foi dito na reunião, e nenhum dos dois tem uma linha escrita para mostrar.

A gente desenvolve software desde 2009 e vê essa cena se repetir. Os problemas abaixo aparecem tanto que dá para listar. Parte nasce do lado de quem faz, parte do lado de quem paga, e escrevemos aqui também os que são culpa de fornecedor, que é o nosso lado da mesa.

Um aviso, uma vez só: isto é orientação prática de quem contrata e é contratado, não aconselhamento jurídico. Para projeto de valor alto, o contrato merece a leitura de um advogado.

O resumo, para quem tem pressa

ProblemaQuem costuma errarO combinado que evita
Escopo só de bocaOs doisLista do que entra e do que não entra
Conteúdo que não chegaClientePrazo conta da entrega do material
Pagar tudo adiantadoOs doisParcelas presas a entregas
Domínio no nome de quem fezFornecedorContas no CPF ou CNPJ do cliente
Sistema sem o códigoFornecedorCódigo e banco entregues ao cliente
Manutenção indefinidaOs doisGarantia com prazo, o resto orçado
Mudança no meioClienteMudança vira item novo, com prazo

Escopo combinado só por conversa

É a cena da abertura. Na reunião todo mundo concordou com “um site com as informações da empresa e um jeito de o cliente pedir orçamento”. Para um, isso é um botão de WhatsApp. Para o outro, é um formulário com cálculo automático e envio para o e-mail do vendedor.

O custo é retrabalho que ninguém quer pagar e uma relação que passa a desconfiar.

Uma página de texto evita isso. Nela vai uma lista com as páginas ou telas, o que cada uma faz, e uma segunda lista, mais curta e mais importante, com o que não está incluído. Pode ser uma mensagem de WhatsApp respondida com “de acordo”. O erro é dos dois: do fornecedor que não escreve para fechar logo, e do cliente que não lê porque confia.

O conteúdo que o cliente não entrega

Este atraso é do cliente. O site pode estar pronto por dentro e passar semanas esperando as fotos dos produtos, o texto do “quem somos”, a tabela de preços atualizada.

Prazo de site só é honesto quando diz de onde começa a contar. Um prazo de dez dias úteis é de dez dias úteis depois que o material chegou, e isso precisa estar escrito.

Três combinados ajudam:

  • Uma data para a entrega do material, tão firme quanto a data de entrega do site.
  • Uma lista exata do que precisa ser entregue, item por item, para ninguém descobrir na última hora que faltava a foto da fachada.
  • Um plano para quando o material não vem: quem faz escreve os textos a partir de uma conversa, e o cliente só aprova e corrige.

O terceiro costuma ser o que destrava: falar da própria empresa por meia hora é mais fácil do que encarar uma página em branco.

Pagamento integral adiantado

O cliente paga 100% na assinatura e perde a única coisa que garantia atenção. Não precisa haver má-fé: quem já recebeu tudo atende primeiro quem ainda vai pagar.

O inverso também acontece e é erro do fornecedor: começar sem receber nada e descobrir, com o site pronto, que o cliente mudou de ideia.

O arranjo que protege os dois é dividir o valor em partes ligadas a algo que se possa ver. Uma parte para começar, outra quando a primeira versão navegável estiver no ar em um endereço de teste, a última na publicação. Cada parcela corresponde a uma entrega que dá para conferir sem entender de tecnologia.

Domínio e hospedagem no nome de quem fez

Quem faz o site registra o domínio na própria conta “para agilizar”. Funciona por anos, até a relação terminar, a pessoa mudar de ramo ou o e-mail de cobrança cair numa caixa abandonada.

No teste que fizemos com os 115 sites cadastrados no Google por empresas de uma avenida de São José, 17 não abriam, e em 9 o domínio simplesmente tinha deixado de existir.

O combinado cabe em uma linha: domínio, hospedagem e qualquer conta de terceiros (e-mail, mapa, meio de pagamento) são abertos no CPF ou CNPJ do cliente, com um e-mail do cliente, e quem faz o site entra como convidado. Se o seu já está no nome de outra pessoa, o caminho para corrigir está em domínio registrado no nome de outra pessoa.

Sistema entregue sem acesso ao código

Site institucional se refaz. Sistema guarda os pedidos, os clientes, o estoque. Quando o código e o banco de dados vivem apenas no servidor de quem desenvolveu, a empresa fica presa a essa pessoa para qualquer correção, e sem saída se ela parar de responder.

A Lei do Software diz, no artigo 4º, que, salvo estipulação em contrário, os direitos sobre o programa desenvolvido durante um contrato de serviço pertencem ao contratante, dentro das condições que o artigo descreve (texto conferido em outubro de 2026). Só que ter o direito e ter os arquivos são coisas diferentes, e muito contrato estipula justamente o contrário. Não conte com a regra geral. Escreva.

O que pedir:

  1. O código fica num repositório, que é a pasta online com todo o histórico, criado na conta do cliente.
  2. O servidor e o banco de dados também ficam em contas do cliente.
  3. Há cópia de segurança dos dados, e alguém da empresa sabe onde ela está.
  4. As senhas de administrador são entregues no fim do projeto.

Há um caso em que isso não se aplica: sistema pronto, por assinatura. Ali o código nunca é seu, e tudo bem, desde que você consiga exportar os seus dados. A comparação entre os dois modelos está em sistema pronto ou sob medida.

“Manutenção” que ninguém definiu

A palavra aparece na proposta com um valor mensal e nenhuma explicação. Para o cliente, significa “qualquer coisa que eu pedir”. Para o fornecedor, significa “manter no ar”. A diferença aparece no primeiro pedido de página nova.

Separe três coisas que costumam vir misturadas. Defeito é o que não funciona como combinado, e deve ser corrigido sem custo dentro de um prazo de garantia escrito. Custo de infraestrutura é domínio, hospedagem e licenças, com valor e data de vencimento conhecidos. Evolução é tudo o que é novo, e é orçado à parte.

Mensalidade pode fazer sentido, principalmente em sistema que roda a operação da empresa. O que não faz sentido é pagar sem saber o que ela cobre e em quanto tempo alguém responde quando o site cai num sábado.

Mudança de ideia no meio

Mudar é normal, e os números mostram. No projeto da loja de refeições congeladas da Gabriela Corsi, em São José, foram 159 alterações registradas no histórico em 18 dias de trabalho. No site da Superágua, em Florianópolis, 18 alterações em 5 dias. Projeto que está andando muda todo dia.

O problema é a mudança que troca o projeto por outro sem ninguém dizer isso em voz alta. O catálogo que vira loja com carrinho. O formulário que vira área do cliente com login.

A regra que funciona é simples e precisa ser dita no primeiro dia: ajuste no que foi combinado está incluído, função nova vira item novo, com valor e prazo próprios, aceito por escrito antes de ser feito.

O que nenhum combinado resolve

Papel não conserta escolha errada. Um contrato bem escrito com alguém que some dá trabalho do mesmo jeito. Antes de discutir cláusula, vale conferir se a pessoa tem trabalho no ar, se responde no prazo que promete e se explica as coisas de um jeito que você entende. Para essa etapa, veja as perguntas para fazer antes de contratar um site.

E há projeto pequeno demais para tanta formalidade. Para uma página simples, feita em uma semana, basta uma mensagem com cinco linhas: o que entra, o que não entra, quanto, quando, e no nome de quem ficam as contas.

Escrito porBruno Gomes

Fundador da EmpresaNaWeb. Desenvolve software desde 2009 e atende cada cliente pessoalmente, do orçamento à entrega.

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