“Quanto custa um sistema?” é pergunta do mesmo tipo de “quanto custa uma reforma?”. Quem responde com um número antes de ver a casa está chutando ou vendendo um pacote.
Isso não quer dizer que o preço seja um mistério. Sistema sob medida tem uma matéria-prima só, que é o tempo de quem sabe fazer. Não há licença por usuário nem caixa na prateleira. Se você entende o que consome esse tempo, entende o orçamento, e consegue comparar duas propostas sem ser da área.
Não publicamos nosso preço, porque ele sai do escopo de cada projeto. O que dá para mostrar são prazos de trabalhos nossos e os custos de terceiros, estes com link e conferidos em 4 de outubro de 2026. Valor de plataforma muda, confira antes de usar.
Quanto tempo leva, em três projetos
Os três são públicos. “Dias de trabalho” são os dias em que houve trabalho no projeto, e cada alteração é uma mudança salva no histórico do código, do ajuste de um botão a uma tela nova.
| Projeto | Dias de trabalho | Alterações |
|---|---|---|
| Superágua: site com catálogo e pedido no WhatsApp | 5 | 18 |
| Gabriela Corsi: loja online com painel de gestão | 18 | 159 |
| Pulse 360: loja online e sistema de gestão | 19 | 164 |
A Superágua, de Florianópolis, tem catálogo, área de entrega, pedido que chega no WhatsApp e horário de atendimento em tempo real. É um site com algumas funções de sistema, e por isso fica na ponta de baixo.
A loja da Gabriela Corsi, de São José, vende refeições congeladas. Tem informação nutricional, filtros por restrição alimentar, montagem de combos, carrinho e um painel onde ela cuida de cardápio, estoque e pedidos. Da reunião de proposta, em 5 de setembro de 2026, ao primeiro pedido de um cliente, em 24 de setembro, passaram 19 dias.
A Pulse 360, de artigos esportivos, junta loja online e gestão sobre o mesmo cadastro: venda no balcão e estoque com lote e validade. Foram 19 dias de trabalho e, enquanto este texto é escrito, o sistema está em teste com os donos. Teste com gente de verdade costuma gerar mais uma rodada de ajustes, e essa rodada faz parte do projeto.
Esses prazos são curtos para o padrão de alguns anos atrás. Parte do código hoje é escrita com ajuda de inteligência artificial e revisada por quem tem experiência, o que encurtou a digitação. O que continua levando tempo é entender o negócio, decidir o que cada tela faz e testar.
O que faz a conta crescer
Integrações
Cada sistema de fora com que o seu precisa conversar é um pedaço de trabalho com risco próprio, porque depende da documentação e da boa vontade de outra empresa. Ligar ao ERP, que é o sistema de gestão que a empresa já usa para estoque, financeiro e nota fiscal, costuma ser a parte mais incerta do orçamento. Antes de pedir preço, descubra se o seu ERP oferece uma forma oficial de integração e quanto cobra por ela.
Meio de pagamento é mais previsível, mas traz um custo que não é do desenvolvedor. No checkout do Mercado Pago, por exemplo, a tarifa anunciada é de 0,99% no Pix e de 4,98% no cartão de crédito com recebimento na hora, caindo para 3,98% se você aceitar receber em 30 dias.
Regras do negócio
“Desconto de 10% para cliente antigo, menos em produto em promoção, a não ser que seja atacado.” Uma frase dessas, dita em dez segundos na reunião, vira dias de trabalho. A regra em si é simples. O que dá trabalho são as exceções, que só aparecem quando alguém pergunta “e se?”. Quanto mais regras você conseguir escrever antes, mais firme fica o orçamento.
Perfis de usuário
Um sistema em que todo mundo vê tudo é o mais barato. Quando dono, gerente, vendedor e cliente enxergam telas diferentes, cada perfil multiplica o que precisa ser construído e testado. Vale perguntar quais perfis são necessários no primeiro dia e quais podem esperar.
Migração de dados
Trazer cinco anos de clientes de uma planilha parece coisa de uma tarde, e raramente é. Os dados antigos vêm com nome duplicado, telefone em três formatos e produto que não existe mais. Peça que a migração apareça como item separado, com a descrição do que será trazido.
Aplicativo
Um sistema que abre no navegador do celular resolve a maioria dos casos de pequena empresa. Aplicativo publicado nas lojas é outro projeto por cima do primeiro, com taxas próprias: a Apple cobra 99 dólares por ano pela conta de desenvolvedor, e o Google Play, uma taxa única de 25 dólares. O grosso do custo é manter duas versões atualizadas e passar pela aprovação das lojas a cada mudança.
O que se paga depois da entrega
O sistema precisa morar em algum lugar. Um servidor virtual de entrada, que basta para muita operação pequena, aparece na tabela da Hostinger a R$ 29,99 por mês no preço promocional, com renovação a R$ 59,99. Some o domínio, R$ 40 por ano no Registro.br. Servidor e domínio devem ficar em conta sua, com o seu e-mail.
Depois vem o suporte: alguém para chamar quando algo para, que acompanha as cópias de segurança e aplica atualizações. Pode ser um valor fixo por mês ou cobrança por chamado. Os dois modelos funcionam, desde que esteja escrito o que acontece se o sistema cair numa sexta à noite.
E vem a evolução, que é a linha que mais pega o dono de surpresa. Sistema em uso gera pedido novo toda semana, e isso é bom sinal. Reserve verba para o primeiro ano, porque as melhores ideias vão aparecer depois que a equipe começar a usar.
Como pedir orçamento para poder comparar
Se cada fornecedor recebe uma conversa diferente, cada um orça um sistema diferente. O que torna as propostas comparáveis é todos partirem do mesmo papel.
- Escreva o escopo em uma página: quem vai usar, o que cada pessoa faz no sistema e que informação entra e sai. Linguagem de balcão serve.
- Liste as integrações pelo nome do sistema e as regras que você já conhece.
- Diga quantos registros existem hoje e em que formato estão.
- Peça a proposta dividida em etapas, cada uma com entrega que você consegue abrir e usar, prazo e valor.
- Pergunte o que fica de fora. Uma boa proposta tem a lista do que não está incluído.
- Pergunte em nome de quem ficam o código, o servidor e o domínio, e peça isso no contrato.
- Peça o custo mensal depois da entrega, separado em hospedagem e suporte.
As etapas protegem os dois lados. Você paga por algo que já viu funcionando e pode parar na segunda se a primeira decepcionar. O fornecedor não precisa embutir no preço o medo de um escopo que cresce sem controle.
Na hora de comparar, desconfie da proposta que não fez nenhuma pergunta. Quem orça um sistema sem querer saber das exceções colocou uma folga grande no valor ou vai cobrar a diferença no meio do caminho.
Quando o sob medida não compensa
Se um sistema pronto faz quase tudo o que você precisa por uma mensalidade pequena, fique com ele e adapte o processo no pouco que falta. Controle financeiro, emissão de nota e agenda de salão são problemas que alguém já resolveu bem.
Também não é hora quando o processo ainda muda todo mês. Sistema sob medida fixa em código o jeito como a empresa trabalha, e fixar cedo demais sai caro. Uma planilha bem cuidada segura a operação até o processo assentar.
A decisão entre um caminho e outro, com os critérios para escolher, está em sistema pronto ou sob medida. Se o que você precisa está mais perto de um site, as faixas de preço estão em quanto custa um site para pequena empresa.



