Você digita o nome da empresa na pesquisa do Registro.br e aparece que já tem dono. Aí começa a negociação consigo mesmo: põe um hífen, acrescenta a cidade, troca para .net.br, tenta o .com. Dez minutos depois a lista tem oito endereços e nenhum convence.
O domínio é a decisão mais barata do site e a mais chata de desfazer. Ele vai para a fachada, o cartão, a sacola, o perfil no Google e o e-mail de todo mundo da empresa. Trocar depois custa bem mais do que os R$ 40 por ano do registro.
As regras abaixo foram conferidas nas páginas do Registro.br em 4 de outubro de 2026. Os nomes de empresa usados como exemplo são inventados.
.com.br, .com ou outra terminação
No Brasil a resposta quase sempre é .com.br. As estatísticas do Registro.br mostravam, em 4 de outubro de 2026, 5.992.002 domínios .br registrados, dos quais 5.538.963 eram .com.br. São 92 de cada 100. É a terminação que o cliente completa de cabeça.
A lista de categorias é muito maior do que parece. Contamos 140 na página. As que interessam a um pequeno negócio:
| Terminação | Para quem | Quem registra |
|---|---|---|
| .com.br e .net.br | atividades comerciais | CPF ou CNPJ |
| .floripa.br, .joinville.br | nome da cidade | CPF ou CNPJ |
| .adv.br, .med.br, .odo.br, .arq.br | profissionais liberais | só CPF |
| .srv.br, .ind.br, .far.br, .imb.br, .tur.br | empresas do setor | só CNPJ |
| .org.br | sem fins lucrativos | só CNPJ |
As categorias de setor (serviços, indústria, farmácia, imobiliária, turismo) só aceitam CNPJ, e o .org.br ainda pede documentos. As de profissão ficam no CPF do profissional. Numa clínica com sócios, isso quer dizer que o endereço da empresa pertence a uma pessoa física, e se ela sair o domínio vai junto.
Todas funcionam, mas pedem explicação toda vez que alguém dita o endereço por telefone. A gente trata essas terminações como segunda opção, para quando o .com.br não existe mais.
O .com não é vendido pelo Registro.br. Você compra numa empresa de registro internacional ou numa hospedagem, e o preço costuma ter pegadinha de primeiro ano. Na página da Hostinger, em outubro de 2026, o .com saía por R$ 0,01 no primeiro ano e R$ 94,99 na renovação. O .com.br custa R$ 40 por ano, todo ano, e só pode ser registrado por CPF ou CNPJ estabelecido no Brasil, segundo a ajuda do Registro.br. Esses preços mudam, confira antes de comprar.
O .com faz sentido para quem vende para fora do país. Na loja do bairro, é o endereço em que o cliente vai errar.
O que o Registro.br aceita no nome
As regras do domínio são poucas:
- de 2 a 26 caracteres, sem contar a terminação;
- letras de a a z, números, hífen e as letras acentuadas do português, incluindo o ç;
- o nome não pode ter só números;
- não pode começar nem terminar com hífen.
Há uma regra a mais, pouco conhecida, que resolve metade das dúvidas. Para saber se um nome já existe, o sistema tira os acentos, troca ç por c e descarta os hífens. Se o resultado for igual ao de um domínio que pertence a outro titular, o registro é recusado.
Na prática: se a Padaria Bom Trigo (exemplo inventado) é dona de bomtrigo.com.br, ninguém mais consegue registrar bom-trigo.com.br. E se bomtrigo.com.br já é de outra empresa, o hífen não é uma saída para você.
Hífen e acento
Como o hífen não cria um endereço novo aos olhos do Registro.br, ele só serve ao próprio dono do nome sem hífen. E serve mal, porque ninguém quer ditar “bom hífen trigo ponto com ponto br” ao telefone.
Com acento a história é parecida. O Registro.br permite, desde que a versão sem acento esteja livre ou seja sua, mas avisa na mesma página de ajuda que o uso “só é recomendado para serviços Web, por enquanto” e recomenda registrar as duas versões. Para e-mail, portanto, o acento ainda não é confiável. Registre sem acento e, se quiser a versão acentuada, que seja a segunda.
Nome da empresa, cidade ou serviço?
Três formatos aparecem sempre. Para uma clínica de fisioterapia fictícia chamada Movimento, em São José:
- movimento.com.br: só a marca
- clinicamovimento.com.br: marca com o que a empresa faz
- fisioterapiasaojose.com.br: serviço com cidade, sem marca
O primeiro é o melhor quando está livre, o que é raro com palavra comum. O segundo costuma ser o que sobra, e sobra bem: continua sendo o nome da empresa e já diz o ramo.
O terceiro é tentador porque parece com o que o cliente digita no Google. Só que ele deixa de ser o nome da sua empresa. Se você abrir uma unidade em Palhoça ou passar a oferecer pilates, o endereço fica errado. Aparecer para quem busca o serviço na sua cidade depende muito mais do perfil da empresa no Google e do conteúdo das páginas do que das palavras no endereço.
Um teste ajuda a decidir: fale o endereço em voz alta para alguém e peça para a pessoa escrever. Se ela errar, o cliente também vai.
Sobre tamanho, o limite técnico é de 26 caracteres, e o prático é o que cabe na fachada e no cartão sem diminuir a letra.
Como consultar se o nome está livre
Digite o nome na busca do Registro.br. Só dá para registrar quando a resposta é “Domínio disponível para registro”.
Antes de fechar, pesquise também os nomes parecidos. Um endereço que difere do concorrente por uma letra manda cliente e e-mail para o lugar errado.
Quando o nome já foi registrado
Muita gente pergunta se dá para pegar um domínio que está registrado mas não tem site. A ajuda do Registro.br responde: “Muito provavelmente não”. O domínio pode estar sendo usado só para e-mail.
O que sobra, do mais simples para o mais trabalhoso:
Acrescentar o ramo ou a cidade ao nome. É a saída mais comum.
Usar outra terminação. O próprio Registro.br confirma que o mesmo nome pode ser registrado em outra categoria. Mas avisa que, se o registro for caracterizado como de má-fé, pode ser suspenso ou transferido pelo sistema de conflitos, o SACI-Adm. Se o .com.br é de uma empresa do mesmo ramo, na mesma região, escolha outro nome.
Esperar o domínio vencer. A pesquisa do Registro.br mostra a data de expiração. Se o dono não renovar, o nome vai para o processo de liberação, com rodadas em datas marcadas. Quem se candidata sozinho leva, e com dois ou mais candidatos o nome pode ir para disputa por ofertas, a partir de R$ 50.
Procurar o titular. A mesma pesquisa mostra quem é. Se for o antigo dono do negócio, um ex-sócio ou a agência que fez o site, o caso é de transferência, e o passo a passo está em domínio no nome de outra pessoa.
Vale registrar variações?
Menos do que se imagina. A versão com hífen e a versão com acento já estão protegidas pela regra de equivalência: ninguém além de você consegue registrá-las naquela terminação.
A que pode valer é o mesmo nome em .net.br ou na categoria do seu setor, se a marca é o seu principal patrimônio. Quem compra cinco terminações “para garantir” assume cinco vencimentos para lembrar, e domínio esquecido é justamente o que derruba site.
Onde registrar e no nome de quem
Dá para registrar direto no Registro.br. Segundo a página de ajuda, se você não informar servidores próprios, o domínio é registrado em até 5 minutos usando os servidores deles, e depois quem fizer o site aponta o endereço para a hospedagem.
Dá para registrar por meio de uma hospedagem ou de quem está fazendo o site. O cuidado é um só: o titular tem que ser o seu CPF ou o CNPJ da empresa, e o e-mail da conta tem que ser um que você lê. Quem faz o site entra, no máximo, como contato técnico.
Empresa com sócios registra no CNPJ. MEI ou profissional que trabalha sozinho pode usar o CPF, sabendo que trocar depois exige um procedimento com documento assinado.
Quando não vale a pena insistir
Se o nome ideal está ocupado e a alternativa razoável está livre, registre a alternativa. O cliente quase nunca digita o endereço. Ele clica no link do perfil do Google, do Instagram ou da mensagem que você mandou.
Antes de mandar fazer a fachada, o cartão ou a embalagem, confirme que o domínio está registrado, pago e no seu nome.



