O site está quase pronto e falta “só” a foto do topo. O dono procura no celular e encontra a fachada fotografada à noite, com o letreiro estourado e um carro parado na frente, a equipe na confraternização de fim de ano e o salão vazio debaixo da luz branca do teto. Manda as três pelo WhatsApp. Quem está montando o site abre os arquivos e vê que cada um chegou menor e mais borrado do que saiu.
O celular que você tem faz foto suficiente para um site, e os erros que estragam o resultado se repetem: luz errada, enquadramento apertado e envio pelo caminho que comprime.
Faça a lista antes de fotografar
Sair fotografando “umas fotos da loja” rende quarenta imagens parecidas e nenhuma do que faltava. Comece pelo que cada página precisa.
| Página do site | Fotos | Formato |
|---|---|---|
| Topo da inicial | 1 ou 2 | Deitada e em pé |
| Sobre | 2 a 4 | Deitada |
| Cada serviço | 2 a 3 | Deitada |
| Cada produto | 2 a 4 | Quadrada |
| Contato | 1 da fachada | Deitada |
As quantidades são a nossa sugestão para um site pequeno. Para o perfil da empresa no Google, que aproveita as mesmas imagens, há uma recomendação oficial: a página de dicas para fotos específicas da empresa pede pelo menos três boas fotos da parte externa, três da interna, três de produtos e três da equipe.
De cada cena, faça cinco ou seis fotos e escolha depois, na tela grande.
Luz: de dia, perto da janela, sem flash
Em ambiente interno, apague o que der de luz de teto e use a claridade da janela. Misturar lâmpada com luz do dia dá duas cores na mesma foto. O flash do celular achata tudo e cria reflexo em vitrine, embalagem e azulejo.
Do lado de fora, fuja do meio-dia, quando a sombra do toldo corta a fachada ao meio. Começo da manhã e fim da tarde dão luz mais suave, e dia nublado serve muito bem para fachada, porque não há sombra dura.
Antes de tudo, limpe a lente na camiseta. Boa parte das fotos “embaçadas” é gordura de dedo.
Enquadramento: deitada, em pé e com sobra
Site usa foto deitada (horizontal) na maior parte dos lugares, sobretudo no computador. No celular, o topo da página costuma ficar em pé. Como você não sabe onde cada foto vai parar, faça as cenas principais nos dois sentidos.
Deixe sobra em volta do assunto. A mesma imagem é cortada de um jeito no computador e de outro no celular, e foto enquadrada no limite perde o letreiro ou a cabeça de alguém no corte. Dê dois passos para trás em vez de usar o zoom, que no celular quase sempre só amplia e piora a imagem.
Ligue as linhas de grade da câmera e use para deixar porta, prateleira e horizonte retos. Segure o celular na altura do peito ou dos olhos, sem inclinar para cima. Fachada fotografada de baixo fica com as paredes caindo para trás.
O que mostrar em cada tipo de foto
Fachada
Mostre a entrada inteira, com o letreiro legível e um pedaço da calçada e dos vizinhos. O Google sugere uma foto de cada direção por onde o cliente pode se aproximar e fotos em momentos diferentes do dia. Espere o carro sair da frente e tire lixeira, cavalete torto e caixa de papelão do quadro.
Ambiente
Arrume antes: balcão limpo, cadeiras alinhadas, fio escondido. Fotografe a partir de um canto, na diagonal, que mostra duas paredes e dá noção do tamanho. Se houver clientes no quadro, eles precisam saber e concordar.
Equipe
Pessoas trabalhando convencem mais do que todo mundo enfileirado de braços cruzados. Peça autorização por escrito de cada um antes de publicar e combine o que acontece quando alguém sair da empresa. A gente tratou do uso de imagem de pessoas no artigo sobre fotos de produto com IA.
Produto
Fundo liso (uma cartolina branca encostada na parede resolve), luz de janela vindo de lado e a mesma distância em todas as fotos, para o catálogo ficar uniforme. Faça uma de frente, uma do detalhe e uma que dê ideia do tamanho, com o produto na mão ou em uso. Para comida, fotografe na hora em que o prato sai, perto da janela.
O que evitar
Banco de imagens. A recepcionista sorridente de fone de ouvido aparece em site de todo tipo de empresa, e o cliente percebe. Para o perfil do Google a orientação vai na mesma linha: as dicas para postar mídia no Maps pedem para evitar bancos de fotos, capturas de tela, colagens e imagens criadas por terceiros.
Filtro. Ajuste leve de claridade e de rotação, tudo bem. Filtro de rede social muda a cor do produto e da parede. Para o perfil, o Google pede foto nítida, com boa iluminação e sem alterações ou filtros em excesso, que represente a realidade.
Texto em cima da foto. Telefone, preço e “promoção” escritos na imagem são cortados quando a página se ajusta ao celular e ficam ilegíveis em tela pequena. A mesma página de dicas do Maps pede para evitar bordas, texto e imagens coladas. O que precisa ser lido vai no texto da página.
Como mandar sem perder qualidade
O WhatsApp reduz a foto no envio. A própria central de ajuda diz que os arquivos de mídia geralmente são compactados para ficarem menores e chegarem mais rápido. Existe uma opção HD, que pode ser deixada como padrão em Configurações, Armazenamento e dados, Qualidade do upload de mídia. Ela melhora, mas o arquivo ainda não é o original.
Para o site, mande o original:
- Crie uma pasta no Google Drive, no iCloud ou no serviço de nuvem que você já usa.
- Envie as fotos para lá pelo aplicativo, em tamanho original.
- Compartilhe o link da pasta com quem está montando o site.
Dê nome às fotos antes de mandar: “fachada-dia.jpg” poupa uma rodada de perguntas, e o Google recomenda nomes de arquivo curtos e descritivos em vez de IMG00023.
Quem usa iPhone tem um detalhe a mais. O aparelho grava por padrão em HEIF, formato que nem todo sistema abre, e o perfil do Google só aceita JPG ou PNG. Em Ajustes, Câmera, Formatos, a opção Mais Compatível faz as próximas fotos saírem em JPEG.
O tamanho do arquivo no site
Um celular de 12 megapixels gera uma imagem de 4.000 por 3.000 pixels, que costuma pesar vários megabytes e deixa a página lenta se for publicada assim. O guia de desempenho do Google explica que as imagens costumam ser o recurso mais pesado de uma página e que o ideal é a imagem ter o tamanho do espaço em que é exibida: num espaço de 500 por 500 pixels, uma imagem de 500 por 500.
Se alguém monta o site para você, mande o original e deixe a redução com essa pessoa. Se é você quem sobe as fotos, num construtor ou no WordPress, reduza antes:
- Largura de 1.600 a 2.000 pixels para foto de topo e 800 a 1.200 para as demais. É uma regra prática nossa, com folga para telas grandes.
- Formato WebP, que segundo o mesmo guia geralmente comprime melhor que JPEG e PNG, ou JPEG se o sistema não aceitar.
- Uma ferramenta gratuita como o Squoosh, mantido pelo Google Chrome Labs, que faz a redução no próprio navegador, sem enviar a imagem para servidor nenhum.
Depois de publicar, meça. O passo a passo está em site lento: como medir de graça.
Para o perfil do Google os limites são outros: arquivo entre 10 KB e 5 MB, resolução recomendada de 720 por 720 pixels e mínima de 250 por 250. A foto original de um celular recente pode passar dos 5 MB, e nesse caso a versão reduzida do site resolve.
Quando o celular não basta
Algumas fotos pagam o fotógrafo. Prato de restaurante que vai para o cardápio, imóvel à venda, joia, produto caro em que o acabamento é o argumento e a foto grande do topo de um site que precisa impressionar pedem equipamento, luz montada e alguém que saiba dirigir a cena. Vale pedir orçamento para uma sessão só, com a lista de fotos deste artigo na mão.
Para fachada, ambiente, equipe e o dia a dia do perfil do Google, o celular dá conta, e tem uma vantagem sobre o ensaio contratado: você refaz no mês que vem, quando trocar a vitrine.



