Na Avenida Lédio João Martins, no Kobrasol, 62 das 274 empresas em funcionamento aparecem no Google com a categoria “Loja” ou “Serviços”, sem mais nada. São 42 de um tipo e 20 do outro. As outras se espalham por 70 categorias específicas, e três fichas não têm categoria nenhuma.
Esse número saiu do levantamento que fizemos em setembro de 2026. Para este artigo voltamos aos dados com mais calma, e a volta trouxe uma correção de rota que contamos mais abaixo: parte dessas 62 pode estar com a categoria certa no painel do Google e só parecer genérica para quem olha de fora.
A pergunta prática continua de pé. A categoria principal é o campo que diz ao Google em quais buscas a sua empresa entra, e muita gente preenche esse campo em dez segundos, no dia em que cria o perfil, e nunca mais volta nele.
O que a avenida usa
Estas são as categorias com dez empresas ou mais:
- Loja42 empresas
- Serviços20 empresas
- Loja de roupa18 empresas
- Consultoria12 empresas
- Loja de moda feminina11 empresas
- Salão de beleza11 empresas
- Farmácia10 empresas
Depois delas a lista fica rala muito rápido. Separamos as 70 categorias específicas pelo número de empresas que usam cada uma:
| Empresas na mesma categoria | Categorias | Empresas |
|---|---|---|
| Só uma | 32 | 32 |
| De 2 a 4 | 26 | 75 |
| De 5 a 9 | 7 | 40 |
| 10 ou mais | 5 | 62 |
Trinta e duas empresas estão sozinhas na categoria em que aparecem.
Outro recorte: existem 15 categorias diferentes começando com “Loja de” em uso na rua (de roupa, de moda feminina, de artigos domésticos, de cosméticos, de móveis e mais dez), que somam 59 empresas.
O que o “Loja” esconde
Quando fomos ver quem são as 42 empresas marcadas como “Loja”, 16 são óticas, a julgar pelo nome: 14 têm a palavra no nome e duas têm “óculos”. E nenhuma empresa da avenida aparece com categoria de ótica.
A explicação mais provável está na nossa ferramenta. Coletamos os dados pela API do Google Maps, que entrega a categoria principal a partir de uma tabela própria de tipos de lugar, bem mais curta que a lista do painel do Perfil da Empresa. Procuramos nessa tabela, em outubro de 2026, e não achamos um tipo para ótica. O mais provável é que essas empresas tenham escolhido certo e a API devolva “Loja” por falta de equivalente.
Não temos como abrir o painel de cada uma para confirmar. Por isso o número deve ser lido assim: 62 empresas aparecem como genéricas para a API. Quantas são genéricas de fato a gente não sabe, e no primeiro artigo tratamos as 62 como se fossem escolha do dono. Para a sua empresa a dúvida se resolve em um minuto, abrindo o perfil e olhando o que está escrito no campo de categoria.
Categoria e avaliações: o que dá para dizer
Pouco. A mediana de avaliações das 62 “genéricas” é 37,5 e a das 209 com categoria específica é 38. A nota mediana é 4,7 nos dois grupos (57 e 191 empresas com nota).
Dentro do grupo genérico a diferença é grande: mediana de 41,5 nas 42 “Loja” e de 6 nas 20 “Serviços”. E as 32 empresas que estão sozinhas na categoria têm mediana de 94 avaliações, mais que o dobro da avenida.
Nada disso mostra que a categoria traz avaliação. Farmácia tem mediana de 126,5 porque atende centenas de pessoas por dia, e escritório tem poucas porque tem poucos clientes. A categoria descreve o ramo, e o ramo decide o movimento. O que a categoria muda é em quais buscas o perfil entra, e isso a API não mede: ela não informa as buscas em que cada empresa apareceu, nem as categorias adicionais.
Um sinal fraco, só para registro: 44% das empresas de categoria específica têm site próprio no perfil (93 de 209), contra 34% das genéricas (21 de 62).
Principal e adicionais, segundo o Google
A página de ajuda sobre categorias diz que elas afetam a classificação local e dá o exemplo: com “Pizzaria” como principal, a empresa pode aparecer para quem busca restaurantes, restaurantes italianos ou pizza. A orientação é escolher uma opção específica da lista. Em vez de “Salão”, “Salão de manicure”.
As categorias adicionais servem para departamentos ou serviços especiais. O exemplo oficial é a mercearia com padaria e delicatessen: “Mercearia” como principal, as outras duas como adicionais. A mesma página avisa para não selecionar uma categoria para cada produto ou serviço.
As diretrizes para representar a empresa completam com duas regras úteis. Usar o menor número possível de categorias. E escolher as que completam a frase “essa empresa é”, em vez de “essa empresa tem”. Uma academia com piscina é academia. O Google também informa que, ao escolher uma categoria específica, inclui por conta própria as mais gerais. O exemplo dele é “Resort de golfe”, que já carrega “Hotel resort”, “Hotel” e “Campo de golfe”. Marcar a geral junto é redundante.
Para alterar, o caminho documentado é: “Editar perfil”, depois “Editar” ao lado de “Categoria de negócios”, digitar, escolher na lista e “Salvar”. Para incluir mais uma, “Adicionar outra categoria”.
Como descobrir a categoria de quem aparece na sua frente
Faça no celular a busca que você quer ganhar, do jeito que o cliente digitaria: “assistência de celular em São José”, “marmita fitness Kobrasol”. Abra as três primeiras fichas do mapa.
Em cada ficha, perto do nome e da nota, aparece um rótulo com o tipo do negócio. A página de ajuda diz que as categorias selecionadas podem ser usadas para atribuir esse rótulo à empresa. Anote os três. Se dois ou três usam a mesma categoria, e ela descreve o que você é, essa é a candidata a principal.
Só aparece um rótulo por ficha. As categorias adicionais dos outros você não vê por ali, então a comparação vale para a principal.
Os erros que as próprias diretrizes descrevem
- A categoria do que você gostaria de ser. O manual pede a categoria que representa o negócio principal. O exemplo dele é o restaurante de hambúrguer com algumas sobremesas no cardápio: as categorias corretas são “Restaurante fast-food” e “Hamburgueria”, e “Confeitaria” está na coluna das incorretas.
- Categoria como palavra-chave. As diretrizes dizem para não usar categorias só como palavras-chave nem para descrever atributos da empresa.
- Categoria de quem divide o espaço. A livraria com um café de outra empresa dentro não marca “café”. Quem tem a categoria é o café, no perfil dele.
- Uma categoria por serviço. Serviço vai no campo de serviços do perfil.
Quando não existe a categoria exata
A lista é fechada. A ajuda oficial diz que não é possível criar uma categoria própria e que, se a específica não estiver disponível, o caminho é selecionar uma geral que descreva a empresa.
Antes de desistir, digite sinônimos na caixa do campo e veja o que a lista oferece. Muita categoria existe com um nome que você não usaria de primeira: na avenida há duas empresas em “Loja de roupas esportivas” e duas em “Escola de esportes”. Se não houver mesmo, fique com a geral mais próxima e detalhe o que você faz nos serviços e na descrição. As diretrizes dizem que o Google também detecta informação de categoria no site da empresa e em citações dela na web.
Antes de trocar, três avisos
O primeiro está na página de ajuda: ao adicionar ou editar uma categoria, talvez seja preciso verificar a empresa de novo. Não troque na semana em que você não pode ficar sem o perfil.
O segundo está na visão geral das políticas: o Google pode rejeitar mudanças significativas no nome ou na categoria, porque edições que mudam a natureza do negócio costumam indicar fraude. Trocar “Loja de roupa” por “Loja de moda feminina” é ajuste. Trocar “Loja de roupa” por “Restaurante” é outra empresa.
O terceiro é sobre expectativa. Categoria certa põe o perfil na busca certa, mas a ordem em que ele aparece depende também da distância e do volume de avaliações. Se a sua categoria já é a específica e a mesma dos primeiros colocados, o seu tempo rende mais pedindo avaliações do que testando combinações de categoria.



