Busca local · 7 min de leitura

Qual categoria escolher no Google Meu Negócio: o que mostram 274 perfis de uma avenida

Numa avenida de São José há 70 categorias em uso e 62 empresas que aparecem só como “Loja” ou “Serviços”. O que os dados dizem e como escolher a sua.

70 categorias diferentes em uso nos perfis do Google de uma avenida de São José

Na Avenida Lédio João Martins, no Kobrasol, 62 das 274 empresas em funcionamento aparecem no Google com a categoria “Loja” ou “Serviços”, sem mais nada. São 42 de um tipo e 20 do outro. As outras se espalham por 70 categorias específicas, e três fichas não têm categoria nenhuma.

Esse número saiu do levantamento que fizemos em setembro de 2026. Para este artigo voltamos aos dados com mais calma, e a volta trouxe uma correção de rota que contamos mais abaixo: parte dessas 62 pode estar com a categoria certa no painel do Google e só parecer genérica para quem olha de fora.

A pergunta prática continua de pé. A categoria principal é o campo que diz ao Google em quais buscas a sua empresa entra, e muita gente preenche esse campo em dez segundos, no dia em que cria o perfil, e nunca mais volta nele.

O que a avenida usa

Estas são as categorias com dez empresas ou mais:

Categorias mais usadas entre as 274 empresas
  • Loja42 empresas
  • Serviços20 empresas
  • Loja de roupa18 empresas
  • Consultoria12 empresas
  • Loja de moda feminina11 empresas
  • Salão de beleza11 empresas
  • Farmácia10 empresas

Depois delas a lista fica rala muito rápido. Separamos as 70 categorias específicas pelo número de empresas que usam cada uma:

Empresas na mesma categoriaCategoriasEmpresas
Só uma3232
De 2 a 42675
De 5 a 9740
10 ou mais562

Trinta e duas empresas estão sozinhas na categoria em que aparecem.

Outro recorte: existem 15 categorias diferentes começando com “Loja de” em uso na rua (de roupa, de moda feminina, de artigos domésticos, de cosméticos, de móveis e mais dez), que somam 59 empresas.

O que o “Loja” esconde

Quando fomos ver quem são as 42 empresas marcadas como “Loja”, 16 são óticas, a julgar pelo nome: 14 têm a palavra no nome e duas têm “óculos”. E nenhuma empresa da avenida aparece com categoria de ótica.

A explicação mais provável está na nossa ferramenta. Coletamos os dados pela API do Google Maps, que entrega a categoria principal a partir de uma tabela própria de tipos de lugar, bem mais curta que a lista do painel do Perfil da Empresa. Procuramos nessa tabela, em outubro de 2026, e não achamos um tipo para ótica. O mais provável é que essas empresas tenham escolhido certo e a API devolva “Loja” por falta de equivalente.

Não temos como abrir o painel de cada uma para confirmar. Por isso o número deve ser lido assim: 62 empresas aparecem como genéricas para a API. Quantas são genéricas de fato a gente não sabe, e no primeiro artigo tratamos as 62 como se fossem escolha do dono. Para a sua empresa a dúvida se resolve em um minuto, abrindo o perfil e olhando o que está escrito no campo de categoria.

Categoria e avaliações: o que dá para dizer

Pouco. A mediana de avaliações das 62 “genéricas” é 37,5 e a das 209 com categoria específica é 38. A nota mediana é 4,7 nos dois grupos (57 e 191 empresas com nota).

Dentro do grupo genérico a diferença é grande: mediana de 41,5 nas 42 “Loja” e de 6 nas 20 “Serviços”. E as 32 empresas que estão sozinhas na categoria têm mediana de 94 avaliações, mais que o dobro da avenida.

Nada disso mostra que a categoria traz avaliação. Farmácia tem mediana de 126,5 porque atende centenas de pessoas por dia, e escritório tem poucas porque tem poucos clientes. A categoria descreve o ramo, e o ramo decide o movimento. O que a categoria muda é em quais buscas o perfil entra, e isso a API não mede: ela não informa as buscas em que cada empresa apareceu, nem as categorias adicionais.

Um sinal fraco, só para registro: 44% das empresas de categoria específica têm site próprio no perfil (93 de 209), contra 34% das genéricas (21 de 62).

Principal e adicionais, segundo o Google

A página de ajuda sobre categorias diz que elas afetam a classificação local e dá o exemplo: com “Pizzaria” como principal, a empresa pode aparecer para quem busca restaurantes, restaurantes italianos ou pizza. A orientação é escolher uma opção específica da lista. Em vez de “Salão”, “Salão de manicure”.

As categorias adicionais servem para departamentos ou serviços especiais. O exemplo oficial é a mercearia com padaria e delicatessen: “Mercearia” como principal, as outras duas como adicionais. A mesma página avisa para não selecionar uma categoria para cada produto ou serviço.

As diretrizes para representar a empresa completam com duas regras úteis. Usar o menor número possível de categorias. E escolher as que completam a frase “essa empresa é”, em vez de “essa empresa tem”. Uma academia com piscina é academia. O Google também informa que, ao escolher uma categoria específica, inclui por conta própria as mais gerais. O exemplo dele é “Resort de golfe”, que já carrega “Hotel resort”, “Hotel” e “Campo de golfe”. Marcar a geral junto é redundante.

Para alterar, o caminho documentado é: “Editar perfil”, depois “Editar” ao lado de “Categoria de negócios”, digitar, escolher na lista e “Salvar”. Para incluir mais uma, “Adicionar outra categoria”.

Como descobrir a categoria de quem aparece na sua frente

Faça no celular a busca que você quer ganhar, do jeito que o cliente digitaria: “assistência de celular em São José”, “marmita fitness Kobrasol”. Abra as três primeiras fichas do mapa.

Em cada ficha, perto do nome e da nota, aparece um rótulo com o tipo do negócio. A página de ajuda diz que as categorias selecionadas podem ser usadas para atribuir esse rótulo à empresa. Anote os três. Se dois ou três usam a mesma categoria, e ela descreve o que você é, essa é a candidata a principal.

Só aparece um rótulo por ficha. As categorias adicionais dos outros você não vê por ali, então a comparação vale para a principal.

Os erros que as próprias diretrizes descrevem

  • A categoria do que você gostaria de ser. O manual pede a categoria que representa o negócio principal. O exemplo dele é o restaurante de hambúrguer com algumas sobremesas no cardápio: as categorias corretas são “Restaurante fast-food” e “Hamburgueria”, e “Confeitaria” está na coluna das incorretas.
  • Categoria como palavra-chave. As diretrizes dizem para não usar categorias só como palavras-chave nem para descrever atributos da empresa.
  • Categoria de quem divide o espaço. A livraria com um café de outra empresa dentro não marca “café”. Quem tem a categoria é o café, no perfil dele.
  • Uma categoria por serviço. Serviço vai no campo de serviços do perfil.

Quando não existe a categoria exata

A lista é fechada. A ajuda oficial diz que não é possível criar uma categoria própria e que, se a específica não estiver disponível, o caminho é selecionar uma geral que descreva a empresa.

Antes de desistir, digite sinônimos na caixa do campo e veja o que a lista oferece. Muita categoria existe com um nome que você não usaria de primeira: na avenida há duas empresas em “Loja de roupas esportivas” e duas em “Escola de esportes”. Se não houver mesmo, fique com a geral mais próxima e detalhe o que você faz nos serviços e na descrição. As diretrizes dizem que o Google também detecta informação de categoria no site da empresa e em citações dela na web.

Antes de trocar, três avisos

O primeiro está na página de ajuda: ao adicionar ou editar uma categoria, talvez seja preciso verificar a empresa de novo. Não troque na semana em que você não pode ficar sem o perfil.

O segundo está na visão geral das políticas: o Google pode rejeitar mudanças significativas no nome ou na categoria, porque edições que mudam a natureza do negócio costumam indicar fraude. Trocar “Loja de roupa” por “Loja de moda feminina” é ajuste. Trocar “Loja de roupa” por “Restaurante” é outra empresa.

O terceiro é sobre expectativa. Categoria certa põe o perfil na busca certa, mas a ordem em que ele aparece depende também da distância e do volume de avaliações. Se a sua categoria já é a específica e a mesma dos primeiros colocados, o seu tempo rende mais pedindo avaliações do que testando combinações de categoria.

Escrito porBruno Gomes

Fundador da EmpresaNaWeb. Desenvolve software desde 2009 e atende cada cliente pessoalmente, do orçamento à entrega.

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