Sistemas sob medida · 7 min de leitura

Quando trocar a planilha por um sistema: seis sinais e um teste de dez minutos

A planilha é ótima para começar e descobrir o processo. Veja os sinais de que ela parou de dar conta, um teste rápido e o que tentar antes do sistema.

Seis sinais de que a planilha da empresa parou de dar conta do trabalho

Toda empresa pequena tem uma planilha que segura a operação. Tem nome parecido com “Controle NOVO (2) final”, foi criada por alguém que talvez nem trabalhe mais ali, e todo mundo tem um pouco de medo de mexer nas colunas da direita.

A reação comum é achar que isso é amadorismo e que empresa séria tem sistema. A gente discorda. Na maior parte dos negócios pequenos a planilha é a ferramenta certa por bastante tempo, e trocá-la cedo demais sai caro. O que importa é reconhecer o momento em que ela para de dar conta, e ele tem sinais bem concretos.

Onde a planilha ganha

Ela custa pouco ou nada. Qualquer pessoa com uma conta do Google usa o Planilhas, com várias pessoas editando ao mesmo tempo e histórico para voltar a versões anteriores.

Ela muda na hora. Precisa de uma coluna nova? Está pronta em dez segundos, sem pedir a ninguém. Sistema nenhum acompanha essa velocidade.

E o motivo que mais pesa: ela ensina o processo. Quando você começa a controlar encomendas, não sabe ainda quais informações importam. Na terceira semana descobre que precisa da data de retirada. No segundo mês, que precisa separar sinal de pagamento total. Cada coluna que apareceu é uma regra do seu negócio que você aprendeu. Uma planilha usada por seis meses é a melhor especificação que um sistema pode ter, e quem pula essa etapa costuma pagar por um sistema que organiza o processo errado.

Para quem ainda está descobrindo como vender, a recomendação é ficar na planilha.

Seis sinais de que ela parou de dar conta

1. Duas pessoas editam e uma apaga o trabalho da outra

Em arquivo de Excel que circula por e-mail ou pelo WhatsApp, isso aparece como “qual é a versão certa?”. Em planilha compartilhada, aparece como a linha que alguém ordenou, filtrou ou colou por cima enquanto outra pessoa digitava.

2. A mesma informação mora em dois lugares

O cliente está na planilha de pedidos e na de cobrança. O telefone mudou, alguém atualizou numa só. A partir daí as duas discordam, e ninguém sabe qual vale. Quando existe uma planilha “oficial” e outra “paralela, que é a que funciona”, o sinal já passou do ponto.

3. Um erro de digitação vira dinheiro

Planilha aceita qualquer coisa em qualquer célula: um zero a mais no preço, uma data no mês errado, uma quantidade na coluna do valor. Enquanto o erro só gera um susto, tudo bem. Quando gera uma cobrança errada, uma encomenda não produzida ou um boleto vencido, o custo dele passa a ser comparável ao de uma ferramenta que não deixaria digitar aquilo.

4. Só uma pessoa entende

Fórmulas encadeadas, abas escondidas, cores com significado que não está escrito em lugar nenhum. Se essa pessoa tira férias e a empresa passa duas semanas sem fechar o caixa, o risco está na dependência, e não no arquivo.

5. Não dá para saber quem mudou o quê

O Planilhas Google guarda histórico de versões e mostra o histórico de edições de uma célula, o que resolve boa parte das dúvidas. A própria ajuda do Google avisa, porém, que algumas mudanças não aparecem ali, como linhas excluídas e alterações feitas por fórmula. E histórico de arquivo é diferente de histórico do negócio: ele diz que a célula mudou de 3 para 2, e não que o pedido 214 foi cancelado pelo cliente na terça.

6. Ninguém consegue usar no celular

Planilha larga em tela pequena é rolar para o lado até errar a linha. Se quem precisa da informação está na rua, no balcão ou na cozinha, o resultado é anotar no papel e “passar a limpo depois”, e é nesse depois que o dado se perde.

O teste de dez minutos

Abra a planilha principal da empresa e responda com sim ou não:

  1. Alguém que não seja o dono dela consegue lançar um registro novo sem pedir ajuda?
  2. Se o arquivo for apagado agora, você recupera a versão de ontem?
  3. Cada informação (cliente, produto, preço) está escrita em um único lugar?
  4. No último mês, passou sem nenhum erro de digitação que custou dinheiro ou um cliente?
  5. Você consegue dizer quem alterou um valor na semana passada?
  6. Dá para consultar e lançar pelo celular sem sofrimento?
  7. O fechamento do mês sai sem alguém ficar copiando e colando de uma aba para outra?

Conte os “não”. Com um ou dois, a planilha está saudável e precisa só de uma arrumação. De três a quatro, vale o caminho intermediário da próxima seção. Com cinco ou mais, ela já virou um sistema mal disfarçado, e você paga o custo dele em horas e em erros. A régua é nossa, de experiência e sem pesquisa por trás; use como ponto de partida.

Um detalhe sobre a pergunta 4: anote por um mês cada erro e quanto custou. Esse número é o orçamento honesto para resolver o problema. Se os erros somam R$ 80 no mês, a planilha fica. Se somam R$ 800, a conversa é outra.

O que tentar antes de um sistema

Entre a planilha bagunçada e o sistema sob medida há três degraus, e muita empresa para em um deles sem precisar subir mais.

Planilha compartilhada bem montada. Uma única cópia, online, com acesso por pessoa. Uma aba só de cadastro (clientes, produtos, preços) e as outras puxando dela, para acabar com a informação duplicada. Lista suspensa nas colunas que aceitam poucos valores e validação nas de data e número, para barrar o erro de digitação. Abas e colunas de fórmula protegidas. Uma aba “Leia antes” explicando o que cada cor significa. Custa uma tarde e resolve os sinais 1, 2, 3 e parte do 4.

Formulário na frente da planilha. Quem lança os dados preenche um formulário no celular, com campos obrigatórios, e as respostas caem na planilha; o Formulários Google exporta para o Planilhas. Ninguém mais edita a planilha direto, só consulta. Resolve o celular e reduz muito o erro de entrada. Basta quando o trabalho é registrar: pedidos, visitas, ordens de serviço, conferência de estoque. Fica curto quando o registro precisa mudar de estado depois, como um pedido que passa de recebido para pago e para entregue.

Ferramenta pronta. Se o seu problema é comum, alguém já fez um programa para ele: agenda de salão, controle financeiro, emissão de nota, estoque de loja, funil de vendas. Costuma ter mensalidade e funciona no mesmo dia. Basta quando o seu processo é parecido com o de todo mundo do ramo. A comparação detalhada entre esse caminho e o sob medida está em sistema pronto ou sob medida.

O sistema sob medida entra quando os três degraus falharam pelo mesmo motivo: o negócio tem uma regra que nenhuma ferramenta pronta aceita, e a planilha só dá conta dela com gambiarra que uma pessoa entende.

Quando não trocar

  • O processo ainda muda todo mês. Sistema fixa um jeito de trabalhar. Se você ainda está testando, fixar agora é pagar duas vezes.
  • O problema é disciplina. Se a equipe não preenche a planilha, também não vai preencher o sistema. Ferramenta nova não cria hábito.
  • A planilha é usada por uma pessoa só, que a domina. Os sinais 1, 2 e 6 nem existem nesse caso. Faça uma cópia de segurança, escreva um parágrafo explicando como ela funciona e siga em frente.
  • Os erros custam pouco. Volte ao número da pergunta 4.

Se decidir trocar, leve a planilha junto. As colunas, as cores e até as gambiarras são o retrato mais fiel de como a empresa trabalha, e quem for montar a ferramenta nova, pronta ou sob medida, deveria começar lendo esse arquivo.

Escrito porBruno Gomes

Fundador da EmpresaNaWeb. Desenvolve software desde 2009 e atende cada cliente pessoalmente, do orçamento à entrega.

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